Histórias de Heróis. Inspire-se!

raquelrodrigues-cambui

Yuri enxerga com o coração

Raquel Rodrigues - Cambuí-MG

Em 2010, eu era estudante de Medicina Veterinária na PUC de Poços de Caldas. Morava em uma república com duas amigas e éramos amigas do prédio todo.  Outro amigo, que estava bem à frente no curso e fazia estágio em uma clínica de Pouso Alegre-MG, foi jantar na nossa república e nos contou sobre o caso de um mestiço de yorkshire. Ele havia sido atropelado e devido o acidente perdeu os dois olhinhos. Estava internado com traumatismo craniano e hemorragia cerebral (edema) e seus proprietários queriam optar pela eutanásia, visto que, mesmo que o cão melhorasse, eles não iam ter “condições” de cuidar de um animal cego.

Meu amigo, então, nos contou que estava tentando arrumar um lar para o cãozinho para que a clínica não tivesse que sacrifica-lo. Com o nosso coração de manteiga, eu e as meninas da república decidimos adota-lo, se caso ele sobrevivesse ao tratamento, mesmo sem condições de cuidar de um cão com necessidades especiais. Deus nessa hora escutou nossa decisão e correu lá na clínica que ele estava. Sussurrou no ouvido dele “acorda cãozinho, melhore logo, porque você vai ter um lar”.

No outro dia meu amigo nos procurou dizendo que o cão havia melhorado muito e já poderia ser adotado. Na segunda-feira próxima, o cãozinho chegou pra gente, cheio de pontos na cabeça e no lugar onde estariam os olhinhos. Muito, muito assustado. O colocamos em um cobertor e ali ele ficou. Todo educado, não fazia xixi nem cocô dentro de casa, então o ensinamos a passear e a contar os degraus do prédio. Ele era lindo marchando pra andar, com medo de tropeçar. E demos um novo nome, que agora é Yuri.

Yuri chorou por várias noites seguidas, procurava algo em casa, a gente se entristecia junto. Com certeza ele sentia falta da sua antiga família. Mas com o tempo ele foi se apegando a gente, tirou os pontinhos da cabeça e dos olhos e hoje vive feliz na casa dos meus pais. Ele também foi um herói, pois minha mãe, um tempo atrás sofreu de depressão e a única coisa que a fazia sair da cama era ter de alimentar e cuidar do Yuri.  Enquanto ela ficava no quarto e na cama, ele ficava 24 horas ao lado dela, até que ele necessitou de mais cuidados, e eu decidi que ele moraria comigo, como sou veterinária poderia cuidar melhor.

Yuri protagonizou, com suas necessidades especiais, a melhora da minha mãe. Ele me ensina todos os dias que os obstáculos estão na nossa cabeça, que tudo é possível, e que se você ama alguém, você consegue “curar” com seu amor! Agradeço a Deus por ele estar nas nossas vidas!